Rosemary Arruda

Tão profundo quanto meu próprio eu!

Textos

A CAUSA DE TODOS OS PROBLEMAS
Olhando o dia a dia das pessoas, prestando atenção no que ocorre ao redor e em todas as circunstâncias, me dou conta de que todos os problemas desse mundo têm um único nome: a velocidade. Não a velocidade sob o ponto de vista da física, mas sim, a velocidade do cotidiano, não vou nem associar a velocidade com a pressa, muito embora elas andem de mãos juntas.

Como eu havia mencionado anteriormente, os transportes públicos e particulares, num passado não muito distante tinham velocímetros de carroças, onde era perfeitamente normal ou estar de carro ou a pé que dava para se ter uma boa prosa. A comodidade estava no estar sentado, mas a velocidade não ultrapassava os 60km/h., com isso, não havia atropelamentos, mortes em trânsito, mortes provocadas por estresses com trânsito, etc., as bicicletas não tinham equipamentos de segurança e também por quê deveriam ter? Não tinham marcha, assentos confortáveis, faróis, etc., já que só adquiriam velocidades em ladeiras.

Com relação às pessoas, o trem andava numa velocidade lenta, mas de uma preciosidade única, as pessoas demoravam dias para chegar ao seu destino, faziam amizades verdadeiras, compartilhavam alimentos e alegrias, contavam histórias para passar o tempo, mesmo porque as pessoas deixavam de ser estranhas e se ajudavam verdadeiramente.

As correspondências eram escritas manualmente e demoravam dias, ou até meses para chegar ao seu destino e quando chegavam, geralmente paravam nas mãos do dono da quitanda que só as entregavam mais tarde ou no outro dia. Quando se marcava um encontro com alguém se aguardava pacientemente no local marcado para a chegada da pessoa querida e mesmo com atraso de horas as pessoas saltitavam de alegria ao vê-la; não havia brigas, nem bate-boca. As desculpas eram verdadeiras e sempre aceitas.

Ainda prestando atenção nas atitudes, é interessante o cavalheirismo antigo, onde os homens se envergonhavam até de sentar, as moças, senhoras e crianças sempre tinham preferência em tudo. Sentar era coisa de menina e bancos permaneciam vazios.

Atualmente se voa nos seus automóveis, não reparam no condutor ao lado, nem sequer sabem o sabor do café do vizinho ou mesmo o quanto é bom pedir emprestado uma xícara de açúcar apenas para se aproximar de alguém. Hoje, ao se marcar um encontro e em meio à correria não conseguir chegar ao destino no horário já é motivo de brigas, desrespeito e muitas vezes de violência física ou moral, e mesmo numa consulta médica, por exemplo, até então no trânsito correndo atrás não sei do quê em meio a um estresse desnecessário, ao se aproximar da clínica, basta ver alguém na calçada intencionando entrar no prédio que as pessoas já saem atropelando tudo para passar na frente e pegar a tal da senha antes daquela outra pessoa. Vergonhoso né? Quanta delicadeza!

Hoje você passa um whatsapp para alguém e fica transtornado por não receber uma resposta imediata, não se importando se a outra pessoa dispõe do seu tempo, se está o tempo todo conectando seus sentimentos com uma máquina. O dia não tem mais 24 horas, não se presta mais atenção na natureza e no sol durante o dia, nem na lua e nas estrelas durante a noite.

A tal da velocidade está destruindo o mundo e as pessoas numa velocidade imperceptível que se duvidar sua própria sombra atravessa o seu caminho e passa a frente de sua forma física e ninguém se dá conta disso.

A velocidade das pessoas atualmente supera a velocidade da luz!.

Rosemary Arruda
Enviado por Rosemary Arruda em 03/08/2019
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